Teaser #1

Fevereiro 18, 2008 at 10:10 pm (Teasers)

A metrópole era sua casa. Conhecia décor cada uma das ruas, de quem era cada esquina e até onde poderia andar sem sacar a espada. Desta forma, dispensava a iluminação enquanto caminhava por entre os mendigos e parias, vitimas de uma guerra que eles não tiveram a chance de lutar.

Quem o observava pensava ver um andarilho despreocupado. Porém, aquela era a gente dele. O povo das ruas. Desfavorecidos. Havia mais de 10 mil motivos para estar alerta. Músculos tencionados. Espada ao alcance de um segundo.

Nunca soube se fazia isso pelo senso de justiça que queimava em sua alma, ou pelo vício que adquiriu em sentir a adrenalina acelerar seu coração enquanto arriscava sua vida.

Passava os dias em horas arrastadas pelo salão da Casa Sivis, carimbando, autenticando e ouvindo gnomos gritando em seu ouvido o quão distraído e incompetente era. Mas durantes as noites. Ah… As noites eram dele.

O barulho do soco no estomago ele conseguia ouvir a distância. Os famintos nunca têm forças para revidar. Virou a esquina sacando a espada, pronto para enfrentar o covarde desgraçado que gritava “Você não tem o direito de sujar estas ruas, seu verme! Se não tem onde morar vá trabalhar!”.

O sangue fervia…

Dois ou três movimentos de duelo costumavam ser o suficiente, mas desta vez o oponente era bom. Lutava com garra, assustado. Mas estava em seu território, as sombras da noite, e em um golpe de mestre, atravessou a garganta. “Muito obrigado, senhor, muito o obrigado”.

O sorriso foi interrompido quando, ao mexer o cadáver, encontrou um distintivo da polícia de Fairhaven. Sua espinha gelou. Correu o mais veloz que pode, mas não adiantaria. Ainda naquela noite, lhe pegariam em casa. Levariam até a Torre da guarda e lá o fariam arrepender-se de ter nascido.

Eles defendem a nação. Violência legitimada.

Sua mente fervilhava um plano para deixar a cidade antes que chegassem, mas não conseguia pensar. Já estava desesperado quando bateram forte à porta. Puxou o sabre. Ao menos morreria com a glória que a guerra lhe negou. Perecer como o guerreiro que sempre foi, não como o burocrata que agora era.

Fez seu melhor, mas contra quatro guardas a morte era certa. Sua mão já não agüentava segurar o sabre. Rendido, dois ainda em pé, ajoelhou-se e esperou o golpe de misericórdia. Chegou a rezar.

Duas pancadas secas, e quando abriu os olhos, guardas no chão. À sua frente, a silhueta de um homem que fumava um cachimbo. “As noites de Aundair não é lugar para justiceiros. Pelo menos não para os que andam sozinhos”. Estendeu-lhe a mão, revelando um par de olhos verdes sob o brasão do reino tatuados em sua pele.

“Vamos, fugir da cidade vai ser divertido. A menos que já esteja muito velho para um pouco de ação”…

 

By: Brito
Postado por: Marujo

1 Comentário

  1. Brito disse,

    Belo texto! :P ahahahahah

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